quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Trabalhando as estruturas da narrativa

Seja terror, ficção, sci-fi, romance policial ou qual for o gênero, todos nós gostamos  e escrevemos sobre um ou vários temas. É importante saber o que você está escrevendo, e se for o caso, pra quem. Ora, temos que ser dinâmicos. Temos que desenvolver tramas. Então nada melhor do que estar familiarizado com o ambiente, até porque o trabalho fica mais fácil.

Mas... como escrever sobre um tema que você gosta de forma realista e interessante? É o que veremos no post. Vamos lá!

A estrutura da narrativa é algo que não precisa ser seguido à risca, como o monomito (falaremos disso mais pra baixo), mas ambos são importantes, pelo menos para se ter uma noção de uma aventura simples ou algo mais complexo. Claro, fica a critério do próprio escritor, que pode modificar algumas coisas.

Tudo começa com a definição do enredo. O espaço, que é onde toda a história se passa. Obviamente pode haver vários. É aqui que você vai construir todo o necessário: protagonistas, cenário inicial, algum pequeno evento... Dado o espaço e a elaboração dos pilares, você pode criar um conflito. Lá no meio ou no começo da história mesmo, não importa. Tenha em mente que você precisará desenvolver esse conflito e como isso afetará os personagens ao longo da trama. Fica mais interessante desenvolver vários conflitos, e conflitos a partir desses, principalmente em obras com teor mais policial. Depois, segue-se o clímax. O momento de resolver esses conflitos, e então o desfecho.

No meio de tudo isso, temos algo chamado tempo narrativo, que nada mais é a ordem cronológica dos eventos. O escritor decide se sua história é ou não linear. Ou seja, se os eventos desencadeados são mostrados não obedecendo uma linha ascendente. Explicando mais ainda, várias histórias dentro de uma história. Há escritores que querem se focar em um conflito apenas, outros, gostam de ver o circo pegando fogo.

Para quem acha isso tudo muito difícil, olhe a imagem abaixo:



Tudo está conectado ao enredo, como você pode ver. Essa é uma estrutura extremamente básica de uma narrativa. Digo extremamente básica pois não estão colocadas as coisas que vão em cada um desses tópicos, mas já da para entender muito bem assim.

Não se pode haver um desfecho sem um clímax (a não ser por motivos bem exclusivos do escritor), assim como não pode haver conflito sem desenvolvimento, desenvolvimento sem narrativa, etc. É simplesmente por uma coisa depender da outra que todo escritor que se preze obedece o básico do básico para que a história tenha sentido para ele mesmo. Claro, como eu disse acima, ele pode ser modificado em algumas partes de acordo com os interesses da pessoa. Por exemplo, vários conflitos ao invés de um só. Ou desfechos diferentes que só identifica quem interpreta o clímax de tal jeito e por aí vai. Há o falso desfecho também, onde o narrador engana o leitor ou faz os personagens se enganarem em um momento crítico... Enfim.

Agora falaremos de um por um, tirando o óbvio que é o Enredo:

Narrativa: Aqui decidiremos se nossa história será em 1ª pessoa ou em 3ª pessoa.
Desenvolvimento: Podemos apresentar nossos personagens, alguns eventos de composição, descrições...
Conflito: Aqui haverá algo catastrófico, que impulsionará a nossa trama.
Clímax: A resolução dos conflitos é feita aqui.
Desfecho: É como a história acaba.

Você leu a palavra "eventos" ali e apareceu uma interrogação em sua cabeça, não é? É simples: eventos são acontecimentos, como a própria semântica sugere. O que eu quero dizer com eventos de composição? Acontecimentos que ajudam o próprio personagem e o leitor a descobrirem mais sobre a narrativa. Por exemplo, tudo o que o protagonista vê no momento. Aí ele sente o cheiro de alguma coisa. Isso é um evento. Simplesmente.

Veja a imagem novamente. Percebe que os quadros de conflitos, clímax e desfecho estão todos dentro de Desenvolvimento? Pois é. Naquele post sobre esse assunto há mais sobre. Não adianta você ter um tema super mega blaster se você não sabe desenvolver um conflito. E por aí vai. Não quero ser prolixo, então fica por aqui.

Temos também o monomito. A famosa Jornada do Herói, que não deixa de ser uma estrutura narrativa própria. Ela foi desenvolvida para um personagem apenas, o que torna bastante limitado. Porém, ela é bem flexível. Você não precisa usar a Jornada do Herói 100%, e também pode pegar ou não usar algo dela. Modificações são normais. Veja a imagem:



Você não entendeu nada, não é? Ou provavelmente lembrou do livro A Batalha do Apocalipse, que segue nitidamente esse círculo. Vou explicar cada coisa:


Mundo comum: É como o herói é apresentado. Nada de mais aí;
Chamado à aventura: Acontece alguma coisa que o herói é chamado ou que ele se sente no dever de fazer. É a apresentação de um problema (conflito, lembra?);
Recusa do chamado: O herói sente medo e recusa, ou demora a atender o chamado. Em suma, ele também quer entender mais o problema;
Encontro ou ajuda: Alguém vai ajudá-lo a enfrentar o caminho, ou vai encorajá-lo;
Primeiro portal: É a saída do mundo normal para o mundo mágico. Ou o mundo que você quiser;
O ventre da Baleia: Referência bíblica. É onde o personagem é testado. Pode aprender lições, criar inimigos ou amigos, entre outras coisas... Grosseiramente falando, é onde ele começa a se lascar;
Caverna oculta: Sucesso frequente do herói.
Provação suprema: Onde ele enfrenta O desafio. Sabe o que realmente o espera;
Recompensa: O bem ganhou. Então, haverá alguma coisa para o herói como recompensa, seja material ou não, e que de alguma forma será de bom uso dele e das pessoas que ele protege;
Caminho de volta: O herói não pode mais ficar no outro mundo e deve voltar para o seu;
Regresso: Ele volta com alguma notícia boa e todo mundo fica em paz novamente.

Como vocês viram, é algo muito simples. Uma estrutura bem básica, assim como a anterior. Porém, essa aqui é bem modificável. E é recomendado que você a modifique. Você não precisa segui-la, mas muitos escritores usam alguns pontos do monomito por acharem conveniente. Mas é questão de gosto mesmo.


Acho que já falei o bastante.
Então, até a próxima!







segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Bloqueio criativo: Ó, terrível vilão!

Eu sei que você já ouviu essa expressão antes... bloqueio criativo. Ela assusta, não é? Só de falar o nome disso daí  parece que tudo ao seu redor fica mais frio e escuro e você começa a se coçar todo. Ó, vil criatura!

Calma, pessoal. hehe

Abordaremos nesse post como ele surge, como fazer para escapar dele, como lutar contra ele... Enfim. Uma visão geral sobre essa desgraça. Vamos lá?

Bem, primeiramente, bloqueio criativo é definido como a incapacidade temporária de criar ou desenvolver algo, e não atinge só escritores. Arquitetos, designers e até engenheiros sofrem disso. Não, na verdade, todo mundo. Isso, todo mundo sofre de bloqueio criativo.

Para quem ainda não entendeu: você está escrevendo na maior normalidade do mundo, quando de repente, BUM!, a sua mente fica mais branca do que a neve. Nah, neve é muito clichê... Ok, mais branca do que roupas lavadas com Vanish. Você não sabe onde está. Não sabe o que aconteceu. Os duendes no seu cérebro gritam "erro, erro, erro, erro, erro", incessantemente. Ele pega fogo, e alguns pobres duendes morrem queimados também. Mas isso é normal. Não, não o genocídio de duendes! O bloqueio criativo mesmo.

O que vou te dizer agora pode te chocar. Outras pessoas podem ter outras concepções, mas a minha é essa: bloqueio criativo não é um bicho de sete cabeças. Sério. A criatividade ainda está lá, mas por algum motivo ela não se expressa no papel, na tela de desenho ou seja lá o que for. E não, esse motivo não é você ser incapaz. Se você fosse incapaz, nem pelo bloqueio criativo você passaria. Exaustão vem com o estresse. Com o esforço demasiado. Então tire isso da sua cabeça. Você não é incapaz.

Antes de entrarmos mais a fundo, precisamos saber que bloqueio criativo não surge do nada. Tem algum motivo para ele acontecer. Desde preguiça ou até um caso de força maior, como uma doença. É normal, galera, somos seres humanos. A verdade é que n coisas podem conjurar (fã de RPG é isso aí, com essas palavras) essa... essa... Enfim.

Descubra o que é. Vamos supor que o seu motivo é preguiça. Preguiça é tipo kriptonita para o Superman. Se você se sente preguiçoso, pelo amor de Deus, force-se a fazer alguma coisa (nem que seja seu trabalho) porque isso é como apunhalar a alma. Ok... depois de você ter percebido o motivo, lide com ele ou tente superá-lo (dependendo da coisa). Pode demorar o tempo que for, mas uma hora esse demônio tem que sair.

Se não for nenhum motivo muito especial, então é exaustão. Você escreveu o dia inteiro, ou entrou em overworking (esforçou-se muito mais que o necessário) e aí começou a sentir aquela dorzinha marota na cabeça. Não é isso? Hm... Então é muito tempo sem escrever. Quando se perde o hábito, é normal não ter nada na mente ao voltar. Pode não acontecer, mas não é lá tão comum. Das duas, uma.

E como lutar contra isso? Como fugir disso? Simples. Mantenha sua mente sempre fluindo. O que eu quero dizer com isso? Ora, esteja sempre fazendo alguma coisa. Não fique parado. Caminhe. Leia. Mantenha-se concentrado em algo. Estude. Divirta-se. Recicle-se sempre que possível. É um ótimo meio de acabar com essa maldição.

Mais importante de tudo (e até um pouco irônico): escreva. Sim. Nem que seja reescrever o material que você já tem. Isso vai fazer as pequenas engrenagens de seu cérebro desenferrujarem, ou pelo menos vai ajudar.

E lembre-se: força de vontade! Sem isso um escritor não é nada. Você tem capacidade de criar, e não é culpa sua se você não consegue. O tempo é o melhor remédio. Não exagere nas doses. Respire. Tenha um tempo para você mesmo. E aí você vencerá o bloqueio criativo.


Até a próxima!



domingo, 14 de setembro de 2014

Onze hábitos úteis para escritores

Escrever pode até ser fácil, mas assim como qualquer outro hobby/profissão precisamos nos dedicar bastante. Segue alguns hábitos que são considerados importantes para um bom proveito dessa arte.

1. Ler: Leitura é essencial.  É bom ler bastante. Mas calma lá! Você não precisa devorar a biblioteca de sua cidade por inteiro. Muitas pessoas têm a capacidade de criar suas próprias histórias a partir de um ou dois livros; outras, a partir de dez e por aí vai. No básico, ler é importante para ter um vocabulário mais afiado e reciclar suas ideias. Livros de gramática são bons também. Nosso idioma tem várias regrinhas (algumas são chatas, tenho que admitir hehe), e você deve obedecê-las, querendo ou não. Mas isso é questão de costume, porque depois que pega o jeito, a coisa deslancha.

2. Ter foco: Você não vai conseguir escrever nada se não tiver foco. Estamos desenhando com palavras, e isso não é lá muito simples, pois temos que conseguir extrair para o papel em mera tinta preta os cenários extremamente coloridos e complexos de nossas mentes. É nesse ponto que muitas pessoas falam "escrever não é para mim". Tem certeza? Talvez o que esteja faltando é foco. E como ter foco? Simples. Se você escreve no computador, coloque o programa em tela cheia, ou se tranque no quarto, ou vá para algum lugar mais tranquilo... Você tem que dar um jeito. Não é impossível, por mais que pareça.

3. Escrever no papel: Muita gente não consegue escrever no papel porque se sente mais inspirada no computador ou no celular, ou dá a desculpa de que a letra é horrível. Isso só acontece porque essas pessoas não estão habituadas a escrever no bom e velho papel. Você tem que ter a sensação de que está escrevendo, e não apenas digitando. Se você não tem nada num caderno, transcreva. Você se sentirá mais inspirado, acredite.

4. Viver: Isso. Apenas isso. Nós precisamos viver. Ter experiências, morrer de amores, chorar, gritar de alegria... Dá para usar isso como impulso para escrever, mesmo que sua obra seja inteiramente fictícia. Não tem muito mais o que falar, já está meio óbvio.

5. Desafiar a si mesmo: Outra peça fundamental. Já pensou em fugir um pouco do que você costuma escrever? Colocar uma cena de terror, por exemplo? A leitura é importante aí. Desafie-se. Faz bem para a alma, dando certo ou não. Pesquise coisas diferentes, tente ver o que dá pra encaixar de novo em sua história, tente escrever a mesma cena de outro jeito para testar sua capacidade de escrita...

6. Deixar sua mente "respirar": Sabe quando você escreve, escreve, escreve e escreve, e no final do dia sua cabeça até dói? Pois é. Esse é um problema. No momento em que começar a sentir isso, você deve parar. Sério. Não entre em overworking. Salve ou guarde seu trabalho e continue depois. Cada um tem uma capacidade: tem gente que consegue escrever o dia inteiro tranquilamente, assim como tem gente que depois de duas horas para por um tempo e volta por mais duas horas. Escrever é um trabalho, seja você sendo pago para isso ou não; você tendo pressão ou não.

7. Desligar-se do mundo: Esse hábito deveria estar em primeiro lugar, mas não chega a ser mais importante que ler. Tem muito a ver com foco. Desligue sua televisão, desconecte-se das redes sociais, mantenha todas suas atenções voltadas ao seu trabalho. Esses são meios que distraem e fazem suas ideias sumirem num piscar de olhos. Faça um esforço para se manter longe de tudo isso.

8. Fazer o que tem que fazer, na hora certa: Muitos escritores não têm um horário certo para escrever (por exemplo, todas as tardes por x horas). Nossas responsabilidades no mundo exterior não nos deixam ter atenção 24/7 aos nossos trabalhos. Porém, é sempre, ou quase sempre, possível fazer algumas anotações em horários aleatórios e, num momento de tranquilidade, sentar e escrever.

9. Não ser alucinado: Ponha uma coisa em sua cabeça: Escreva. Mas não leve isso como uma espécie de mantra. Não é por não ter escrito uma letra no dia que sua cabeça vai explodir ou seu coração vai parar. Acalme-se. Você não é um robozinho treinado para terminar livros. Dê tempo a você mesmo.

10. Estipular metas: Se você é daquelas pessoas que gostam de desafio, é crucial que você estipule uma meta para o seu trabalho. Trezentas palavras por dia? Quatrocentas? No mínimo cem todas as vezes que você escrever? Duas páginas, três páginas? Faça o que você se considera capaz, mas lembre-se do item 5.

11. Acostumar-se a escrever regularmente: Tente ficar o menos distante possível do seu trabalho. Ficar sem escrever por dois meses já pode ser um convite para o desânimo (embora algumas pessoas se animem na hora). Se for se afastar, então deixe em mente que você precisa escrever. Como eu disse em cima, você não é um robozinho treinado para terminar livros. Se mesmo afastado por um ano, por exemplo, conseguir voltar e escrever como antes, parabéns, esse é um caso meio incomum. Senão, terá que ler sua história toda do zero para aí se situar novamente.


Lógico, você não precisa seguir essa lista à risca. Escreva do jeito que achar melhor para você. Cada escritor é um escritor, então relaxe. Agora, volte a escrever!

Até a próxima!



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Desenvolvimento e profundidade

Uma das coisas mais importantes ao se escrever uma história, qual seja seu formato, é algo chamado desenvolvimento da trama. E com isso, ela ganha profundidade. Ora, mas por que ela é tão importante? É o que veremos.

Uma história bem desenvolvida e bem estruturada enriquece a trama. O próprio escritor e eventuais leitores descobrirão que personagens não são apenas nomes, que cenas têm motivos para acontecer, que pode haver várias dobras num único capítulo, etc. O conceito de profundidade é parecido, mas extremamente mais rico: as palavras adquirem poder. E esse poder é grande.

Como assim poder? Magia? Exatamente. Você, querido leitor, sabe o quanto é gostoso e às vezes doloroso entrar numa história, seja nela toda ou em alguma parte, como na mente do protagonista, na tristeza da morte de um personagem ou na alegria de uma vitória. Não é mesmo? Pois é. Saiba que isso acontece por algo que chamamos de... Profundidade.

Desenvolver é importante se você quiser dar à sua história um aspecto tridimensional. Se você sabe explorar todos os detalhes (necessários) de uma cena, se você sabe usar as palavras para descrever o mais próximo possível do que seu personagem sente, e essas palavras conseguem ocupar mais de duas linhas, se você consegue "ferrar" seus personagens e também fazê-los "ferrar" os outros, entre inúmeras outras coisas, meus parabéns. Você sabe desenvolver.

Se não ficou claro ainda, deixe-me elucidar: escrever é apenas dar vida. Desenvolver é fazer essa vida ter sentido. Ora, qual o motivo de colocar um personagem aleatório na trama e não dizer nem o nome dele? Qual o sentido de ter um protagonista que não pensa, que não respira, que não toma decisões e nem sabe o porquê as toma? Pois é. Entende a importância de desenvolver?

Agora, a profundidade é algo que vem junto do desenvolvimento, como um "bônus". É você ter explorado tão bem o que tem que explorar que acaba criando um fascínio em ter escrito/lido aquela parte. Por exemplo: a morte de um personagem. É muito fácil falar que um personagem morreu. Matar um personagem pode ser fácil. Mais do que coçar o nariz. E como ele morreu? E o que ele sentiu perto da morte? E o que seu assassino (se for o caso) sentiu? Por que ele fez isso? Cada detalhe pode fazer a diferença. Quer um exemplo mais claro?

"Fulano morreu pela lança de Beltrano."

"A lança de Beltrano perfurou fundo o peito de Fulano, atravessando seu coração. Sangue esguichou, e um sorriso na cara de seu algoz se fez ao ver aquilo. Sua visão fora aos poucos se extinguindo, o fluido da vida escapou da ruptura causada pela lâmina. Ele estava morto, finalmente."

Percebeu? E olha que podem ser adicionadas mais coisas.
Profundidade pode ser definida como o realismo do negócio. Causou alguma emoção no leitor? Causou. Provavelmente espanto. Ou alegria, se ele odiava o Fulano. E o que a primeira frase causou? É isso. Mas suponhamos que você não consiga escrever algo tão "sofisticado" assim. Ora, então descreva a morte, apenas. Fale da ferida causada, da força aplicada no golpe, no sangue jorrando. Enriquecendo a cena é o que vale. Ok, esse é um ótimo exemplo pra dizer o que é desenvolvimento e profundidade (ironia, hehe). Mas tem um motivo: causar emoção. Morte é o que mais causa alguma reação nas pessoas, seja em livro ou na vida real, então aqui isso se aplica perfeitamente.

Voltando ao desenvolvimento. Suponhamos que você tenha um personagem (que não é o Fulano, pois esse morreu). Certo. Aí, num diálogo, ele fala para um amigo que está triste porque sua namorada o deixou. O amigo fala "ah, cara, que pena" e acaba por aí. Ué... só isso? Sabia que dá pra escrever um parágrafo inteiro só falando da melancolia dele por causa do abandono? E mais algumas linhas dizendo, por exemplo, alguma coisa que lembrasse seu passado e o fizesse ficar ainda mais triste, como um "ele sempre foi o excluído na sociedade"? É. Isso aí se chama desenvolvimento, amigo. Seu personagem não é só um nome. Não é só uma aparência.

Por isso que um dos conselhos que muitos escritores famosos dão é "observe o seu redor". Numa tradução, seria "desenvolva e crie profundidade". O mundo ao seu redor é profundo e desenvolvido , mesmo se você morar num deserto.

Resumindo: Profundidade vem com o desenvolvimento. E desenvolvimento faz a história ter algum sentido. Dá tridimensionalismo. Faz o personagem ser um personagem, e não só uma palavra num pedaço de papel.

Até a próxima, pessoal!


Tridimensionalismo é isso aí.




sábado, 6 de setembro de 2014

O personagem imortal. Por que evitá-lo?

Não que seja um erro absurdo ter um personagem que praticamente não sofre um arranhão no decorrer da história, mas é bom não abusarmos disso.

Com certeza você já leu algum livro ou outro formato de história que o protagonista sai ileso das enrascadas, ou senão quase nunca ganha ao menos uma cicatriz. Aí posso te perguntar: não é chato isso?

Ora, um personagem que não é Deus ou declaradamente imortal e mesmo assim só acontecer coisa boa com ele é meio entediante. Como disse num post atrás, personagens são humanos e precisam de emoções humanas. Sentimentos humanos. Então precisam sofrer também.

Quando digo isso, não quero me referir necessariamente à batalhas com monstros e tal. Refiro-me a qualquer coisa que envolva uma dificuldade. Nem que seja tropeçar numa casca de banana. Se o foco é realidade, então que tenhamos realidade. Não precisa fazer o protagonista sofrer a história toda (o coitado também precisa respirar), mas experimente colocá-lo numa situação arriscada. Nem que ele consiga sair dessa perfeitamente vivo, mas faça-o ralar. Ou sofrer alguma dor de cabeça, confusão, a vontade de ficar livre daquele peso, qualquer coisa.

Se alguém ler o seu livro, querendo ou não essa pessoa vai conseguir captar o que o personagem está sentindo. Vai tentar se colocar no lugar dele e pensar em alguma coisa. O personagem não é uma pedra, ele é uma vida. Altos e baixos são normais, portanto. Pode apostar que o leitor vai correr pelas páginas da sua história esperando por uma coisinha dessas, ou na pior das hipóteses, na morte de alguém.

Esse post é meio que uma extensão daquele dos temperos. O sofrimento do personagem não deixa de ser um tempero — e bem nutritivo!  para a história. À partir do momento em que não é só o próprio escritor que lê a história, o protagonista será o queridinho de algum leitor. E convenhamos, temos que mexer com a emoção. Dar aquele peso nas costas dele. Fazer o leitor — ou você mesmo, na maioria das vezes — se emocionar com o que vê. Ficar triste, ficar alegre. Isso faz parte.

E é justamente por isso que devemos evitar o personagem imortal. Aquele queridinho que só se dá bem. Porque evita o choque. Evita conflitos, assim podendo fechar portas.

Claro que nada disso é regra, mas...

Até a próxima, pessoal!

Os perigos da "ex machina"

Quando a história está em tal ponto que o escritor não tem muito para onde correr — uma decisão que o personagem tem que tomar, senão a narrativa não anda —, ele apela para uma dessas duas coisas: Deus ex machina e Diabolus ex machina. São duas coisas opostas, mas com a mesma intenção: tirar a história do buraco.

E quando falo em tirar a história do buraco, não é exagero. Pode acontecer, e é muito frequente, de uma história chegar num lugar indefinido. Se o escritor não perceber o problema e não alterá-lo (o que dá para se fazer sem precisar apagar uma grande parte da história), então sobra essas alternativas. São boas? São ruins? Bem... Depende. É o que veremos agora!

Deus ex machina

Do latim, "deus surgido da máquina". Isso vem lá dos teatros gregos antigos, e consiste num evento, personagem ou até mesmo um objeto que surge para "tirar o sufoco" da trama. Pode servir também como algo muito ilógico para o contexto da história que aparece do nada e a partir daí tudo fica diferente. Quem gosta de assistir anime sabe muito bem o que vou dizer: O personagem apanha igual um desgraçado e no final surge uma luz mágica que lhe dá força o suficiente para derrotar um vilão. Isso é Deus ex machina. Uma aplicação perfeita disso, inclusive.

Outro exemplo de Deus ex machina é quando o personagem passa por uma situação difícil e "magicamente" ele lembra por meio de flashbacks que ele sabe a resposta para aquele problema. Entretanto, se esses flashbacks ficaram claros na história em algum momento anterior, não é um Deus ex machina propriamente dito.

Diabolus ex machina

Alguns vão dizer que esse termo não existe, pois ele é pouquíssimo falado por aí. Ele é justamente a versão contrária do anterior (Deus, Diabo, manja? hehe), ou seja, é algo que começa a existir repentinamente para atazanar a vida de um ou mais personagens, assim dando o desenrolar para a trama. É legal de se fazer isso, pois evita aquela "imortalidade" do protagonista, fazendo com que coisas ruins aconteçam com ele (falarei mais isso noutro post), mas fica muito descarado. Imagine só: Dragões matam o Fulano na última página do livro. Porém, desde o começo, nunca se falara em dragões. É isso.

Mas se você pensa Diabolus ex machina é colocar uma maldição ou algo do tipo no personagem e ir sofrendo conforme o desenrolar do enredo, está errado. Se a coisa tem motivo para acontecer — e um motivo claro, ou que vai se mostrando aos poucos , não é ex machina.


Deve-se evitar o uso de ex machinas porque deixa a história muito "manjada", muito seca. É chato você ler uma história tão envolvente, mas que de repente começa tudo a ficar maluco, explicações surgindo de lugares inimagináveis e situações bobinhas.

Temperando sua historia

Você para de escrever por um momento, e nesse momento você relê sua história. Percebe que falta alguma coisa bem ali, no evento tal da cena tal da página tal. E então, lhe vem à mente a sensação de coisa sem forma. Talvez você precise temperar o seu texto e suas ideias.

Imagine várias palavrinhas aqui dentro...

Aqui, na literatura, temos o mesmo esquema da culinária. Adicionando tempero(s), a comida fica mais gostosa, mais cheirosa, ou ao menos um pouco mais agradável ao paladar. A escrita não foge disso. Com determinadas coisas, a obra fica mais bacana de ler, seja para o próprio escritor ou para outra pessoa que pegar sua história em mãos. Ela fica mais sucinta. Realista. Gostosa de ler. Vamos começar o post, então?

Existe várias formas de deixar a narrativa mais viva; mais "colorida", todas dependendo da vontade do escritor e da necessidade dos eventos. Um bom exemplo são as figuras de linguagem. Deixarei esse assunto para outro post, então aqui só vou falar o necessário. Quem ler a história, seja você mesmo ou outro alguém, precisa entender o que os personagens estão falando, sentindo ou ouvindo. Precisa haver imersão. Essa é a magia da leitura, afinal de contas! Então, um clichê famoso como "branco como a neve do inverno" já é algo bastante enriquecedor. Ou algo mais pomposo, como "os seus olhos eram negros e profundos como um infinito abismo", deixa qualquer um fascinado. Mas cuidado! Frases cacofônicas como "quero amá-la para todo o sempre" não são legais. Ora, você quer amar ou quer uma mala para sempre? Essas frases são desagradáveis para o ouvido. 
Repetir palavras com intuito de provocar alguma emoção (as famosas anáforas) deixam um contexto bem mais profundo e bacana. Mas não é bom exagerar.

Mas os temperos linguísticos e literários não são exclusivos das figuras de linguagem. Há várias outras coisas que ajudam a dar aquela sensação de realidade e vivacidade na história, como por exemplo, algumas linhas tratando o que o personagem está pensando. Por exemplo, num dilema, você pode dizer que Fulano se sente perdido e que sua mente gira. Mas esse é apenas um exemplo... Com dedicação ao evento, um parágrafo pode se tornar três ou quatro.

Comédia é outro ponto bacana de se explorar. Vez ou outra é legal soltar aquela piadinha para quebrar a tensão — e por favor, escolha bem essa "vez". Não vá me fazer piadinha no funeral do protagonista! Por outro lado, momentos de tristeza são excelentes. De raiva. São emoções humanas, afinal. Por que não colocar na história? Os personagens precisam dessa realidade! Não é pedir demais colocar amor também. Nem que seja aquele extremo meloso teen ou o bem sério, mais adulto. Emoções enriquecem a trama. Faça o seu personagem sentir ódio, mas também alegria. Faça-o rir. Faça-o chorar. Faça-o enlouquecer. (olha a anáfora aí, hehe em momentos certos, ela é perfeita) 

Não tenha medo de tentar. Mostre para você mesmo e para quem ler (se sua intenção for a de ser lido, nem que seja pelos colegas de classe da faculdade) o quanto a literatura pode ser poderosa em seus variados gêneros.

Até a próxima, pessoal!

Estilos de escrita

Uma das coisas que um escritor mais precisa saber é de seu estilo de escrita, e isso pode demorar muito tempo. Apaga arquivo, risca rascunho, substitui isso, substitui aquilo, e aí é uma infindável e cansativa busca por um jeito mais confortável de escrever. Você tenta fazer de um jeito, mas não se sente bem e não passa nem do primeiro parágrafo do primeiro capítulo. Você faz de outro, e em uma semana você já tem dez capítulos. Claro, exagerei um pouco (hehe), mas vai mais ou menos seguindo essa linha de raciocínio. Nesse post, vamos aprender quais são os estilos de escrita e falar um pouco sobre cada um deles. 

Para começar, temos três tipos, que não têm nome certo, mas fica a seu critério chamá-los da maneira que achar mais conveniente. Escrita espontânea, organizada e mista.

Escrita espontânea

Falando de grosso modo, a escrita espontânea é aquela onde o escritor vomita tudo que está em sua cabeça. Não se preocupa muito com detalhes, só quer ver o texto no papel. Na maioria das vezes, vê-se vários erros gramaticais e até mesmo coisas sem sentido. Entretanto, esse tipo de escritor só deixa os detalhes para acertar no final de tudo.

Geralmente, não têm coisas escritas à parte para auxiliá-lo, ou se tem, são poucas. Acredita que não vale muito a pena fazer isso porque sua cabeça é tão fértil que o enredo de sua história já deve ter mudado um bilhão de vezes no meio do percurso, e com certeza mudará mais um bilhão.

Sua principal dificuldade é a de justamente revisar tudo que escreveu (o que já é um trabalho grande, mas para espontâneos é triplicado praticamente), ler linha por linha porque com certeza deixou algo que não fazia o menor sentido, ou talvez um plot hole...

Escrita organizada

O escritor que tem esse estilo gosta de manter tudo do seu jeito. Faz anotações à parte, preocupa-se severamente nos detalhes antes de fazer alguma coisa, e quando é hora de escrever, vê um resultado bacana.

Pessoas com esse estilo de escrita têm mais anotações do que a história propriamente dita. Mas isso é bom. Já têm os personagens construídos, as cidades, países ou whatever também construídos e detalhados... Na maioria das vezes já sabem quem vai morrer, quem vai continuar vivo, quem vai fazer isso ou aquilo...

A principal dificuldade é o tempo. Ah, o tempo...  Mas, como diz Charlie Chaplin, o tempo é o melhor autor, sempre encontra um final perfeito. Alguns escritores organizados, por mais que façam jus ao nome, não conseguem colocar no papel muita coisa. O trabalho é escrever toda a história e só encaixar as peças e eventos, e isso pode se tornar uma dor de cabeça se a pessoa for muito restritiva.

Escrita mista

É a junção das duas acima. A pessoa escreve tudo o que lhe vem na mente, porém se atentando aos detalhes. É aquele tipo que já pensa no próximo parágrafo quando mal terminou o primeiro. Raramente tem algum erro de gramática, ou um buraco na escrita, mas acontece;afinal humanos não são máquinas perfeitas. Mas, se passa despercebido, uma hora é corrigido.

Podem ou não ter anotações à parte, ou coisas já criadas. A dificuldade aqui se dará se a pessoa for muito perfeccionista. O que, em alguns casos, é verdade. A história vai andar, mas vai parar porque ela achou lá no começo algo que não ficou muito bom para ela. A história pode estar no final, mas ela vai voltar umas duzentas páginas porque desconfia que tem algo errado, e aí muda alguma coisa. Na pior das hipóteses, acha melhor apagar tudo e começar do zero.


É isso, pessoal.
Até a próxima!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Construindo diálogos (pontuação)

Cada escritor tem sua forma de escrever. De criar. E de construir diálogos. Mas... Quais são elas? Quais são as certas? Quais são as erradas? É o que vamos ver agora.

Nesse post, serão abordados seis sinais: ponto, travessão, vírgula, ponto-e-vírgula-, dois-pontos e aspas. Cada um com sua utilidade e importância.

Primeiro sinal: ponto (.)

Como todos sabem, o ponto serve para indicar o final de uma oração. Nos diálogos, esse carinha deverá aparecer sempre quando a fala de um personagem acabar.

Exemplo certo:
 Eu sei disso.  disse Fulano.

Exemplo errado:
 Eu sei disso  disse Fulano
 Que bom

Entretanto, se houver mais de uma fala, havendo no meio alguma narrativa (como "disse Fulano"), então a primeira fala só precisará de um ponto se não houver a necessidade de dar continuidade à frase.

Exemplo não continuado: - Não estou com fome. - disse Fulano. - Vamos passear?
Exemplo continuado: - Não estou com fome - disse Fulano. - Meu estômago está cheio.

Claro, isso não se aplica como regra. Há escritores que, por exemplo, começam a segunda frase com letra minúscula. Não é errado, uma vez que ajuda a dar essa sensação de continuidade. Há também aqueles que não colocam ponto na narrativa no meio das frases, o que não é errado também. Dependerá da vontade da pessoa, apenas.

Segundo sinal: travessão ()

Esse aqui é o mais utilizado para diálogos, pelo menos entre escritores brasileiros. Não há muito o que se falar sobre ele, apenas o óbvio: inicia uma fala. Vamos exemplificar:

Exemplo certo:
  Olá.  disse Maria.  Gosto muito de fazer novas amizades!

Exemplo errado:
Olá. disse Maria. Gosto muito de fazer novas amizades!

Como podem ver, o travessão também indica o final da fala para a entrada de uma narração. E sim, isso é regra, pelo menos não se você não pretende marcar diálogos com aspas (já chegaremos lá). Entretanto, o travessão não serve apenas para falas. Encaixa-se muito bem no meio duma narrativa, tendo as seguintes funcionalidades:

• Separando frases intercaladas com o motivo de acrescentar alguma coisa
Exemplo: Eu amo ela — uma mulher muito linda  e espero que o sentimento seja recíproco.

• Destacar algum elemento em comum de, por exemplo, alguma lista
Exemplo: Hoje vou à feira comprar bananas, maçãs, uvas e morangos — frutas que adoro  e fazer várias sobremesas.
(vice-versa também pode acontecer).

• Substituir parênteses, vírgula, ponto-e-vírgula e até dois-pontos
Exemplo 1: Fulano sentia seu coração palpitar forte — provavelmente por causa da ansiedade. (vírgula);
Exemplo 2: Fulano queria mostrar para o mundo seu poder  ele podia atirar fogo pelas mãos , e quando isso acontecesse, seu sonho seria realizado. (parênteses);
Exemplo 3: Fulano estava com frio — um frio que fazia gelar a espinha  e ficou com ódio de si mesmo porque esqueceu de trazer um casaco. (ponto-e-vírgula);
Exemplo 4: Havia certas coisas que Fulano detestava  egoísmo, falsidade e humilhação. (dois-pontos).

Nota-se que nesses casos (quando o travessão separa) não é necessário colocar ponto. O escritor pode até colocar, mas não vai fazer muito sentido. Caso contrário, obviamente haverá o ponto em seguida.

Ah, e não confundir travessão() com hífen(-). Isso é importante.

Terceiro sinal: vírgula (,)

Não há muito o que se falar sobre ela para quem já conhece sua importância e suas funcionalidades. Ela pode separar orações, pode indicar uma pausa breve (não tão breve como ponto-e-vírgula), e também pode ficar ao lado de um travessão na narrativa. 

Exemplos certos:
O vento soprava forte, varrendo as folhas das árvores caídas ao chão. 
Fulano, quando queria muito alguma coisa, conseguia.
Ora — disse ele. , não se preocupe.

Exemplos errados:
O vento soprava forte e varria as folhas das árvores caídas ao chão.
Fulano quando queria muito alguma coisa conseguia.

Viu como é estranha a sensação de uma frase sem a vírgula? Parece até que o escritor não precisa respirar. Não precisa separar a frase para enfatizar, indicar ou simplesmente fazer uma pausa na leitura. Fica muito desagradável, convenhamos. Sobre a vírgula após o travessão, também é opcional, porém é uma boa ideia colocar quando há necessidade. Dá a sensação de que juntamos as frases numa só.

Quarto sinal: Ponto-e-vírgula (;)

Esse é o meu favorito. Uso bastante em meus escritos. Esse sinal serve, basicamente, para indicar uma pausa. Não breve como a vírgula, não definitiva como o ponto. Uma belezinha. Além disso, há outras utilidades:

• Separar orações opostas, indicando antítese
Exemplo: Poucos ganham muito; muitos ganham pouco.
(obs: para quem não sabe, antítese é uma figura de linguagem que expressa ideias opostas)

• Enumeração
Exemplo:
1) Batata;
2) Chocolate;
3) Arroz;
4) Café.
(o último item da lista será seguido de um ponto. Não sei se você reparou, mas nos exemplos de travessão eu usei ponto-e-vírgula nos itens, terminando o último com um ponto.)

• Pausar frases muito grandes, por vezes substituindo um ponto
Exemplo: Era muito complicado fazer manutenção num carro, principalmente partindo do zero; por isso nem me importei e deixei de lado.
(essa pode ser a chamada "pausa para respirar", hehe.)

Também há um uso para o ponto-e-vírgula totalmente fora desse meio literário. Na área da Informática, é essencial na programação para separar instruções. O mesmo acontece com aspas no caso de alguma coisa que o compilador não tenha necessidade de ler (um comentário, por exemplo).

Quinto sinal: dois-pontos (:)

Esse é um sinal básico, mas muito útil se o escritor não quiser usar travessão. Outras utilidades:

• Indicar um ou mais elementos
Exemplo 1: Algo que eu amo: cereal.
Exemplo 2: Pessoas que moram comigo: a minha avó, a minha mãe, o meu pai e o meu cachorro.

• Substituir o travessão numa frase
Exemplo: Ele disse: E daí? Não me importo.
(pode-se usar "Ele disse: — E daí? Não me importo.", dá na mesma.)

• Mudança de foco
Exemplo: Começamos a encher o estômago de hambúrguer e batata frita, até que Fulano disse: Não aguento mais.
(pode-se usar o travessão após o "disse:" também, dá na mesma.)

• Enunciado
Exemplo 1:
(entendeu? hehe.)
Exemplo 2: Quanto é 2+2? Justifique:

Sexto sinal: aspas (" ")

Esse é um sinal peculiar. Tem gente que prefere usar ele para os diálogos ao invés do travessão. Em muitos livros estrangeiros dá para ver isso. 

Exemplo: 
"Entendi", ele disse. 
Ele disse: "entendi."

Outros usos:

• Marcar uma palavra que não é bem aquela que você queria usar, seja por ter esquecido a palavra certa ou por querer dar outro sentido
Exemplo 1: Ele "socou" o prego dentro da madeira com o martelo.
Exemplo 2: Ele "coisou" as mãos com o sabonete.
Exemplo 3: Não era legal ver "aquilo".

• Indicar uma fala aleatória no meio duma narrativa
Exemplo: Estava ventando forte. "Que frio!", Fulano disse. 
(ou disse Fulano, vai depender do escritor.)

• Citação
Exemplo 1: Eu fico com água na boca quando ouço palavras como "bolo" e "chocolate".
Exemplo 2: Conforme disse Sr. Fulano de Tal, "o importante é o que importa".

A T E N Ç Ã O 
Não confundir aspas (" ") com apóstrofo (') — e não confundir isso com apóstrofe. O apóstrofo indica a supressão de letras numa palavra, como "caixa d'água", e essa supressão é chamada de elisão. Muitos escritores portugueses usam esse tipo de figura de linguagem. Algumas letras passam despercebidas numa pronúncia, e esses casos são perfeitos para apóstrofos num texto: "Olh'aquele cara, mano!" que seria "Olhe aquele cara, mano!". 

Bem, é isso, pessoal.
Espero que tenham gostado.

Até a próxima!


domingo, 24 de agosto de 2014

Softwares para escrever

Olá, pessoal!
Muitas pessoas ainda têm a velha tradição de escrever no caderno, anotar em bloquinhos e não chegam nem perto da máquina de escrever ou do computador. Mas se você não é desse tipo, esse post é para você. Se você gosta de digitar porque dói menos que escrever, ou simplesmente porque acha melhor, me acompanhe!

Existem vários softwares de processamento de texto. Desde os mais antigos (e funcionais!) até os mais requintados, cheios de características. Há quem prefira os textos brutos e quem gosta de personalizar até a janela do programa. Vamos lá?


Bloco de notas



Acredite você ou não: o bloco de notas é uma ferramenta poderosa à sua maneira. Interface simples, carregamento rápido... Perfeito para quem quer o texto e só. Por isso ele é tão bom. Mas quem pensa que é só isso, está enganado: além de mudar a fonte, seu estilo e tamanho, você pode inserir data e hora, imprimir e configurar quebra de linha. Não tem corretor automático, então é perfeito para escrever livremente sem aquelas alterações chatas que você não quer que sejam feitas. Além de tudo isso, ele é um salvador de vidas. Seu computador está lento? Não tem outro software? Use o bloco de notas. Experimente. Mesmo que você não goste, vai valer a pena ter escrito um parágrafo que seja nesse programinha.


Microsoft Word



Um editor de textos com variadas funções, como letras capitulares, paginação, alinhamento, espaçamento, revisão ortográfica e muito mais. Esse é para aqueles que buscam um editor de textos simples, mas com algumas funções bacanas. 


yWriter



Gosta de organizar sua história por capítulos, cenas, personagens, etc? Esse é o seu programa. A única desvantagem é que ele está em inglês, mas é de fácil entendimento. É gratuito. Interface meio complicada, faz muita gente se perder, mas uma vez que você o usa, nunca mais esquece.

Zen Writer


É um programa pago, mas faz maravilhas. Você pode trabalhar com uma imagem de fundo e algum efeito (como gotas de chuva). Dá até para reproduzir som de máquina de escrever enquanto escreve. É em tela cheia, então não lhe deixará se desconcentrar.  Há como experimentar a versão trial, que expira após alguns dias. 


Bean


Para quem tem o sistema operacional da Apple, aqui está um editor um pouco mais avançado que o bloco de notas. Não há muito o que dizer.


FocusWriter


Uma "versão" gratuita do Zen Writer, apresentando mais opções de configuração. Tem um sistema de metas que você pode personalizar, estatísticas (número de palavras, por exemplo), efeitos sonoros...


E aí? Já achou um que combine com você?
Experimente!

Até a próxima, pessoal!




Iniciando no mundo da escrita

Olá, pessoal!
Bem-vindos ao blog Write Your Universe, onde falarei sobre a divina arte de escrever. Não, esse não é mais um site de resenhas. É um site de escritor para escritor, ou de aspirante para aspirante. Quero dar dicas de escrita, que podem servir tanto para quem lê quanto para o próprio autor. Aqui, aprenderemos juntos e compartilharemos experiências. Espero que gostem!

Como primeira postagem do blog, eu queria falar sobre iniciar na escrita...  É um assunto bem interessante se quisermos começar do zero.

Quando uma pessoa pensa "vou escrever um livro!", sempre em seguida ela pensa "mas sobre o quê?", às vezes como se essa pergunta fosse um balde de água fria caindo sobre a cabeça. Isso é normal. A partir desse ponto, a criatividade é trabalhada. Sobre o quê? É impossível abrir um caderno e já escrever trezentas páginas em um segundo. Escrever um livro é algo que pode durar anos. Sim, no plural, onde essa palavra se encaixa perfeitamente nesse contexto.

Você não sabe sobre o que vai escrever. Mas sabe que quer escrever. Já é um avanço grande, acredite: força de vontade nunca é demais. E sendo assim, ela é essencial para um escritor. Quanto mais, melhor! Continuando... Está tudo vazio em sua mente. Um branco mais branco do que a folha do seu caderno ou a de um software que processa texto. Aí, você lembra do que gosta de ler (outra coisa essencial, que abordarei depois). Aventuras medievais, por exemplo. E então decide que quer escrever uma aventura medieval. O primeiro passo se fez.

O segundo se dá com um desafio que é bem difícil alguém vencer de primeira: como começar tudo. Sendo sincero, a maioria dos iniciantes na escrita não sabe nem com qual palavra começar o capítulo. E se bobear, os mais veteranos também. Por incrível que pareça, é mais fácil terminar um livro do que começá-lo. E o tempo que a pessoa leva para vencer esse desafio é indeterminado. Falando em analogia, é como uma grande pedra no penhasco. Você faz uma força descomunal para empurrá-la, e é difícil, mas quando consegue, ela desce com toda velocidade. Escrever é praticamente isso.

Você vai começar assim...
Um dia, milagrosamente, você consegue pensar em coisas ótimas para escrever. Viu como é uma delícia a sensação de liberar da mente o que ficou travado por tempos e tempos? Pois é, você sentirá isso a cada parágrafo. Ou senão, a cada página. Ou a cada capítulo. Você vai. Prepare-se. Sua jornada começa agora.

O começo de um livro é sempre a, senão uma das partes mais frustrantes. Pense do seguinte modo: criar um mundo. E aí, parece fácil? Não. Mas é isso o que você vai fazer! Interprete criar um mundo como criar personagens, cenários e enredos, pelo menos só nesse contexto, porque é sobre isso que estamos falando.

Você está lá, todo bonitinho, escrevendo seu primeiro parágrafo. De repente, uma sensação de coisa enrolada. Uma sensação de desorganização, algo horrível. E você não consegue mais escrever até quando esse frio e sombrio incômodo não tiver ido embora. Já percebeu que um mundo está sendo criado aqui? Pois é. Cadê os personagens? Cadê os eventos? Cadê os cenários? Deus, como é difícil! Relaxe. Isso, relaxe. Tenha um tempo para você, nem que seja cinco minutinhos.

Existe uma coisa chamada estilo de escrita (que eu também falarei depois), que muitos demoram bastante para descobrir o seu. Mas você percebeu que a sua dificuldade é simplesmente desenvolver os acontecimentos. Ora, você não precisa quebrar a cabeça. Você só quer ter algumas coisas básicas já criadas para se sentir mais aliviado, não quer? Esse é o estilo organizado de escrever. Você não quer fazer tudo do nada. Você quer ir de pouquinho em pouquinho. Então, cria personagens. Tem uma folha do caderno ou uma pasta do computador apenas com as fichas técnicas. Vamos supor que você já tenha certeza de como sua história vai acabar, porque aí você sabe quantos personagens criará. Uns trinta, por exemplo. Trinta personagens. Maravilha! Não usará mais, nem menos. Isso se sua mente criativa não mudar até o meio da história. O que, em minha opinião, é impossível. Pode não acontecer, mas duvido muito. Continuando... As pessoas estão bonitinhas lá, criadas. Agora você quer criar as cidades. O nome delas, piriri pororó. Feito.

Não está mais fácil agora? É, eu sei que está. E você está sorrindo. Só tem que encaixar as coisas no lugares certos. O seu caderno ou o software não está tão branco assim mais, não é? Pode parecer que não, mas só de ter criado os personagens, as cidades, os cenários, ou seja lá o que você tinha vontade de criar e achou necessário, já faz sua história deslanchar. Agora só precisa dar vida a tudo isso.

Outra sensação de enrosco. Agora você se sente enforcado por si mesmo, buscando em sua mente alguma coisa porque não aguenta mais bater a ponta da caneta no papel ou ver o cursor piscando na tela como se estivesse dizendo "me usa, me usa, me usa, me usa". O que você teve foi um bloqueio criativo. E esse bloqueio se dá de várias formas. Uma delas pode ser o excesso de trabalho. Outra, a falta de inspiração. Eu até arriscaria falta de força de vontade, mas não tem muito a ver.

Ora, e como buscar essa tal da inspiração?
Aí é que está: você não consegue buscá-la. Ela vem até você. O que você faz é só chamá-la. Ela decide se vem ou não. E várias coisas podem atraí-la, tipo um momento de alegria, um momento de paz ou até mesmo tédio... Raiva... Tristeza... A inspiração é um bichinho muito flexível. Ela se adéqua a qualquer necessidade. E quando ela vem, ela decide por quanto tempo vai ficar, mas você pode mantê-la atraída. É meio estranho falarmos desse jeito, mas é bem assim mesmo. A inspiração te mostra o que você é capaz de fazer. Não consegue escrever uma cena triste? Fica triste então. Busque silêncio interior. Faça perguntas a si mesmo sobre o que pode escrever e como... E ai, ainda não consegue? Se não, uma hora consegue. Sério. Acredite em mim. É verdade. Algum livro que você leu pode ter uma passagem de morte. E se a pessoa que morreu não foi baseada em um ente querido do escritor? Já parou para pensar nisso? É uma forma de eternizá-la; não deixa de ser.

E assim a vida de escritor continua...

Escrever é algo que requer tempo, dedicação, esforço, criatividade e inspiração. Alguns decidem trabalhar com metas. Outros, não. Alguns são mais rápidos, outros mais lentos. Cada um é cada um. Só um aviso: escrever vicia!

Até o próximo post, pessoal!