sábado, 6 de setembro de 2014

O personagem imortal. Por que evitá-lo?

Não que seja um erro absurdo ter um personagem que praticamente não sofre um arranhão no decorrer da história, mas é bom não abusarmos disso.

Com certeza você já leu algum livro ou outro formato de história que o protagonista sai ileso das enrascadas, ou senão quase nunca ganha ao menos uma cicatriz. Aí posso te perguntar: não é chato isso?

Ora, um personagem que não é Deus ou declaradamente imortal e mesmo assim só acontecer coisa boa com ele é meio entediante. Como disse num post atrás, personagens são humanos e precisam de emoções humanas. Sentimentos humanos. Então precisam sofrer também.

Quando digo isso, não quero me referir necessariamente à batalhas com monstros e tal. Refiro-me a qualquer coisa que envolva uma dificuldade. Nem que seja tropeçar numa casca de banana. Se o foco é realidade, então que tenhamos realidade. Não precisa fazer o protagonista sofrer a história toda (o coitado também precisa respirar), mas experimente colocá-lo numa situação arriscada. Nem que ele consiga sair dessa perfeitamente vivo, mas faça-o ralar. Ou sofrer alguma dor de cabeça, confusão, a vontade de ficar livre daquele peso, qualquer coisa.

Se alguém ler o seu livro, querendo ou não essa pessoa vai conseguir captar o que o personagem está sentindo. Vai tentar se colocar no lugar dele e pensar em alguma coisa. O personagem não é uma pedra, ele é uma vida. Altos e baixos são normais, portanto. Pode apostar que o leitor vai correr pelas páginas da sua história esperando por uma coisinha dessas, ou na pior das hipóteses, na morte de alguém.

Esse post é meio que uma extensão daquele dos temperos. O sofrimento do personagem não deixa de ser um tempero — e bem nutritivo!  para a história. À partir do momento em que não é só o próprio escritor que lê a história, o protagonista será o queridinho de algum leitor. E convenhamos, temos que mexer com a emoção. Dar aquele peso nas costas dele. Fazer o leitor — ou você mesmo, na maioria das vezes — se emocionar com o que vê. Ficar triste, ficar alegre. Isso faz parte.

E é justamente por isso que devemos evitar o personagem imortal. Aquele queridinho que só se dá bem. Porque evita o choque. Evita conflitos, assim podendo fechar portas.

Claro que nada disso é regra, mas...

Até a próxima, pessoal!

Nenhum comentário:

Postar um comentário