sábado, 6 de setembro de 2014

Os perigos da "ex machina"

Quando a história está em tal ponto que o escritor não tem muito para onde correr — uma decisão que o personagem tem que tomar, senão a narrativa não anda —, ele apela para uma dessas duas coisas: Deus ex machina e Diabolus ex machina. São duas coisas opostas, mas com a mesma intenção: tirar a história do buraco.

E quando falo em tirar a história do buraco, não é exagero. Pode acontecer, e é muito frequente, de uma história chegar num lugar indefinido. Se o escritor não perceber o problema e não alterá-lo (o que dá para se fazer sem precisar apagar uma grande parte da história), então sobra essas alternativas. São boas? São ruins? Bem... Depende. É o que veremos agora!

Deus ex machina

Do latim, "deus surgido da máquina". Isso vem lá dos teatros gregos antigos, e consiste num evento, personagem ou até mesmo um objeto que surge para "tirar o sufoco" da trama. Pode servir também como algo muito ilógico para o contexto da história que aparece do nada e a partir daí tudo fica diferente. Quem gosta de assistir anime sabe muito bem o que vou dizer: O personagem apanha igual um desgraçado e no final surge uma luz mágica que lhe dá força o suficiente para derrotar um vilão. Isso é Deus ex machina. Uma aplicação perfeita disso, inclusive.

Outro exemplo de Deus ex machina é quando o personagem passa por uma situação difícil e "magicamente" ele lembra por meio de flashbacks que ele sabe a resposta para aquele problema. Entretanto, se esses flashbacks ficaram claros na história em algum momento anterior, não é um Deus ex machina propriamente dito.

Diabolus ex machina

Alguns vão dizer que esse termo não existe, pois ele é pouquíssimo falado por aí. Ele é justamente a versão contrária do anterior (Deus, Diabo, manja? hehe), ou seja, é algo que começa a existir repentinamente para atazanar a vida de um ou mais personagens, assim dando o desenrolar para a trama. É legal de se fazer isso, pois evita aquela "imortalidade" do protagonista, fazendo com que coisas ruins aconteçam com ele (falarei mais isso noutro post), mas fica muito descarado. Imagine só: Dragões matam o Fulano na última página do livro. Porém, desde o começo, nunca se falara em dragões. É isso.

Mas se você pensa Diabolus ex machina é colocar uma maldição ou algo do tipo no personagem e ir sofrendo conforme o desenrolar do enredo, está errado. Se a coisa tem motivo para acontecer — e um motivo claro, ou que vai se mostrando aos poucos , não é ex machina.


Deve-se evitar o uso de ex machinas porque deixa a história muito "manjada", muito seca. É chato você ler uma história tão envolvente, mas que de repente começa tudo a ficar maluco, explicações surgindo de lugares inimagináveis e situações bobinhas.

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