domingo, 8 de fevereiro de 2015

O suspiro da Vida

Uma história não se faz história sem personagens, e é aí que se encontra um demônio: a criação. Se há algo que possa se equiparar a criação de um mundo todo, é a de personagens. É uma tarefa bem complexa, embora não pareça. Não é só colocar um nome, a cor dos cabelos e dos olhos. Se queremos dar profundidade em nossa trama, fazer com que o personagem seja mais do que letras num papel, devemos observar vários detalhes. Vamos lá?

Primeiramente, devemos saber que há o exterior e o interior do personagem. O exterior, obviamente, é sua aparência física. A cor dos olhos, dos cabelos, enfim. O interior já é algo mais trabalhoso, tão trabalhoso que ele se mostra no decorrer de todo o livro ou saga, cada faceta sendo narrada dependendo da situação que o personagem enfrenta. Por isso, você precisa ter em mente mais ou menos como é o personagem que você quer. E como se consegue isso? Observando. Sim, observando as pessoas ao seu redor. No mundo real mesmo. O jeito que elas agem, falam, se vestem, olham e andam. Se for uma pessoa conhecida sua, há mais detalhes para se perceber. Suas emoções, seus trejeitos, seu modo de ver o mundo. O jeito de cada pessoa tem de amar, de odiar, de expressar seus sentimentos. Você precisará usar todas essas coisas no seu livro quando as mesmas são necessárias, pelo menos nos protagonistas. Personagens secundários, não tanto, e terciários (aqueles que eu considero totalmente irrelevantes), nada. Digo isso porque você se sentiria perdido se não conhecesse seu próprio personagem! É como viajar para um lugar que nunca ouviu o nome, não conhece o idioma falado, e não tem ao menos um mapa para orientá-lo. A analogia faz sentido, se for parar pra pensar.

Pois é, eu disse que era complexo.

Dizem que na Filosofia você responde perguntas com outras perguntas, e embora essa seja uma frase com intenção de humor, também faz sentido para os escritores. Vem cá: numa cena triste da sua história, como seu personagem reagiria? Ele só choraria, ou você é capaz de escrever um parágrafo inteiro falando da sua tristeza? E em uma cena de luta, como você descreveria a raiva do seu personagem? "Ele estava bravo" é meio óbvio. "Ele estava triste" também é. E então?

Lá em cima eu disse sobre observar as pessoas ao seu redor, mas não adianta você conhecer o jeito das outras pessoas se você não SE conhece. As coisas que você sente, como se expressa. Como resolve problemas. Suas dificuldades. Quando você se conhece, então está pronto para criar um personagem. O que nos leva a outro ponto: aptidões! Objetivos, vontades, ambições, seja como queira chamar.

Todas as pessoas têm algo dentro delas que anseiam mais do que o Garfield quando vê lasanha. Por que seu personagem não teria também? Ora, ele não é um objeto. Você tem que saber o que seu personagem seria capaz de fazer para atingir seus objetivos tão quanto deve saber suas vontades. Por mais que isso não apareça no começo ou no meio da história, você precisa saber tudo, ou pelo menos ter uma noção do que ele almeja. Obviamente isso pode se construir durante as narrativas, mas você deve saber o que escreve. Acontece algo no terceiro livro da sua saga que faz o seu personagem agir de tal jeito, entretanto, no primeiro livro ele não agia assim. O que poderia ser feito? Alguns diriam "eu justifico tal ação com um parágrafo imenso falando do porquê ele mudou tão repentinamente", outros "apago essa cena". Outros, ainda, se esquecem e deixam passar. Quando for parar pra ver, o coitado tem quinhentos objetivos, quinhentas vontades e nunca conseguiu fazer o que realmente queria. E não se limita só a essas facetas.

Do mesmo jeito que você se conhece, então deve conhecer seu personagem e fazê-lo conhecer a ele próprio. Pode parecer meio inception, não é? Quando eu falo que é um demônio de nós, escritores, não é à toa. Criar personagens é um desafio. Pegue um bloco de notas. Um papel. Ou vai um processador de textos mesmo. Escreva o que você quiser, começando pelo nome do personagem e sua aparência. Tudo. Faça um mapa dele. Não precisa ir para o mínimo do mínimo, como por exemplo, quantos centímetros mede seu nariz. Na sua história, quando um personagem fala com o outro, e você precisa escrever o que ele está vendo, ou os detalhes que você julga mais importantes naquela hora. Exemplo: uma cicatriz no rosto, a pálpebra inchada, o cabelo grisalho. Atenção deve ser prestada aí. Lembre-se que você é o narrador, seja em 1ª ou 3ª pessoa. E aí entra a observação. O que você vê quando olha para uma pessoa? Quais os detalhes que você observa com mais importância em seu rosto? Simples assim.

Por um momento, finja que o personagem é você. Não na sua construção física e mental, mas na visão de mundo, literalmente. O que ele enxerga, como ele reage às mudanças de clima, por exemplo, quando está ventando muito frio, o que ele sente quando come algo gostoso, o que ele sente quando encosta sem querer em um espinho... Lógico, você não vai colocar um dedo num espinho pra saber o que vem depois. Por quê? O que você sentira caso fizesse isso? Hmm... dor. Pois é. Seu personagem não sente dor? Não sente frio? Não tem fome, sede ou sono?

E, finalmente, você precisa saber em que momento colocar o quê. Descrever sua frustração quando algo errado acontece, sua tristeza num momento melancólico, sua raiva num momento estressante. Como dito lá em cima, "Ele estava bravo" é muito óbvio. Por que não fazê-lo ranger os dentes e cerrar os punhos, ou então socar uma parede? É por aí.

Bem, esse é o primeiro post depois de um hiato não intencional. Já vamos começar o ano com grande estilo, então. Até a próxima!


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Trabalhando as estruturas da narrativa

Seja terror, ficção, sci-fi, romance policial ou qual for o gênero, todos nós gostamos  e escrevemos sobre um ou vários temas. É importante saber o que você está escrevendo, e se for o caso, pra quem. Ora, temos que ser dinâmicos. Temos que desenvolver tramas. Então nada melhor do que estar familiarizado com o ambiente, até porque o trabalho fica mais fácil.

Mas... como escrever sobre um tema que você gosta de forma realista e interessante? É o que veremos no post. Vamos lá!

A estrutura da narrativa é algo que não precisa ser seguido à risca, como o monomito (falaremos disso mais pra baixo), mas ambos são importantes, pelo menos para se ter uma noção de uma aventura simples ou algo mais complexo. Claro, fica a critério do próprio escritor, que pode modificar algumas coisas.

Tudo começa com a definição do enredo. O espaço, que é onde toda a história se passa. Obviamente pode haver vários. É aqui que você vai construir todo o necessário: protagonistas, cenário inicial, algum pequeno evento... Dado o espaço e a elaboração dos pilares, você pode criar um conflito. Lá no meio ou no começo da história mesmo, não importa. Tenha em mente que você precisará desenvolver esse conflito e como isso afetará os personagens ao longo da trama. Fica mais interessante desenvolver vários conflitos, e conflitos a partir desses, principalmente em obras com teor mais policial. Depois, segue-se o clímax. O momento de resolver esses conflitos, e então o desfecho.

No meio de tudo isso, temos algo chamado tempo narrativo, que nada mais é a ordem cronológica dos eventos. O escritor decide se sua história é ou não linear. Ou seja, se os eventos desencadeados são mostrados não obedecendo uma linha ascendente. Explicando mais ainda, várias histórias dentro de uma história. Há escritores que querem se focar em um conflito apenas, outros, gostam de ver o circo pegando fogo.

Para quem acha isso tudo muito difícil, olhe a imagem abaixo:



Tudo está conectado ao enredo, como você pode ver. Essa é uma estrutura extremamente básica de uma narrativa. Digo extremamente básica pois não estão colocadas as coisas que vão em cada um desses tópicos, mas já da para entender muito bem assim.

Não se pode haver um desfecho sem um clímax (a não ser por motivos bem exclusivos do escritor), assim como não pode haver conflito sem desenvolvimento, desenvolvimento sem narrativa, etc. É simplesmente por uma coisa depender da outra que todo escritor que se preze obedece o básico do básico para que a história tenha sentido para ele mesmo. Claro, como eu disse acima, ele pode ser modificado em algumas partes de acordo com os interesses da pessoa. Por exemplo, vários conflitos ao invés de um só. Ou desfechos diferentes que só identifica quem interpreta o clímax de tal jeito e por aí vai. Há o falso desfecho também, onde o narrador engana o leitor ou faz os personagens se enganarem em um momento crítico... Enfim.

Agora falaremos de um por um, tirando o óbvio que é o Enredo:

Narrativa: Aqui decidiremos se nossa história será em 1ª pessoa ou em 3ª pessoa.
Desenvolvimento: Podemos apresentar nossos personagens, alguns eventos de composição, descrições...
Conflito: Aqui haverá algo catastrófico, que impulsionará a nossa trama.
Clímax: A resolução dos conflitos é feita aqui.
Desfecho: É como a história acaba.

Você leu a palavra "eventos" ali e apareceu uma interrogação em sua cabeça, não é? É simples: eventos são acontecimentos, como a própria semântica sugere. O que eu quero dizer com eventos de composição? Acontecimentos que ajudam o próprio personagem e o leitor a descobrirem mais sobre a narrativa. Por exemplo, tudo o que o protagonista vê no momento. Aí ele sente o cheiro de alguma coisa. Isso é um evento. Simplesmente.

Veja a imagem novamente. Percebe que os quadros de conflitos, clímax e desfecho estão todos dentro de Desenvolvimento? Pois é. Naquele post sobre esse assunto há mais sobre. Não adianta você ter um tema super mega blaster se você não sabe desenvolver um conflito. E por aí vai. Não quero ser prolixo, então fica por aqui.

Temos também o monomito. A famosa Jornada do Herói, que não deixa de ser uma estrutura narrativa própria. Ela foi desenvolvida para um personagem apenas, o que torna bastante limitado. Porém, ela é bem flexível. Você não precisa usar a Jornada do Herói 100%, e também pode pegar ou não usar algo dela. Modificações são normais. Veja a imagem:



Você não entendeu nada, não é? Ou provavelmente lembrou do livro A Batalha do Apocalipse, que segue nitidamente esse círculo. Vou explicar cada coisa:


Mundo comum: É como o herói é apresentado. Nada de mais aí;
Chamado à aventura: Acontece alguma coisa que o herói é chamado ou que ele se sente no dever de fazer. É a apresentação de um problema (conflito, lembra?);
Recusa do chamado: O herói sente medo e recusa, ou demora a atender o chamado. Em suma, ele também quer entender mais o problema;
Encontro ou ajuda: Alguém vai ajudá-lo a enfrentar o caminho, ou vai encorajá-lo;
Primeiro portal: É a saída do mundo normal para o mundo mágico. Ou o mundo que você quiser;
O ventre da Baleia: Referência bíblica. É onde o personagem é testado. Pode aprender lições, criar inimigos ou amigos, entre outras coisas... Grosseiramente falando, é onde ele começa a se lascar;
Caverna oculta: Sucesso frequente do herói.
Provação suprema: Onde ele enfrenta O desafio. Sabe o que realmente o espera;
Recompensa: O bem ganhou. Então, haverá alguma coisa para o herói como recompensa, seja material ou não, e que de alguma forma será de bom uso dele e das pessoas que ele protege;
Caminho de volta: O herói não pode mais ficar no outro mundo e deve voltar para o seu;
Regresso: Ele volta com alguma notícia boa e todo mundo fica em paz novamente.

Como vocês viram, é algo muito simples. Uma estrutura bem básica, assim como a anterior. Porém, essa aqui é bem modificável. E é recomendado que você a modifique. Você não precisa segui-la, mas muitos escritores usam alguns pontos do monomito por acharem conveniente. Mas é questão de gosto mesmo.


Acho que já falei o bastante.
Então, até a próxima!







segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Bloqueio criativo: Ó, terrível vilão!

Eu sei que você já ouviu essa expressão antes... bloqueio criativo. Ela assusta, não é? Só de falar o nome disso daí  parece que tudo ao seu redor fica mais frio e escuro e você começa a se coçar todo. Ó, vil criatura!

Calma, pessoal. hehe

Abordaremos nesse post como ele surge, como fazer para escapar dele, como lutar contra ele... Enfim. Uma visão geral sobre essa desgraça. Vamos lá?

Bem, primeiramente, bloqueio criativo é definido como a incapacidade temporária de criar ou desenvolver algo, e não atinge só escritores. Arquitetos, designers e até engenheiros sofrem disso. Não, na verdade, todo mundo. Isso, todo mundo sofre de bloqueio criativo.

Para quem ainda não entendeu: você está escrevendo na maior normalidade do mundo, quando de repente, BUM!, a sua mente fica mais branca do que a neve. Nah, neve é muito clichê... Ok, mais branca do que roupas lavadas com Vanish. Você não sabe onde está. Não sabe o que aconteceu. Os duendes no seu cérebro gritam "erro, erro, erro, erro, erro", incessantemente. Ele pega fogo, e alguns pobres duendes morrem queimados também. Mas isso é normal. Não, não o genocídio de duendes! O bloqueio criativo mesmo.

O que vou te dizer agora pode te chocar. Outras pessoas podem ter outras concepções, mas a minha é essa: bloqueio criativo não é um bicho de sete cabeças. Sério. A criatividade ainda está lá, mas por algum motivo ela não se expressa no papel, na tela de desenho ou seja lá o que for. E não, esse motivo não é você ser incapaz. Se você fosse incapaz, nem pelo bloqueio criativo você passaria. Exaustão vem com o estresse. Com o esforço demasiado. Então tire isso da sua cabeça. Você não é incapaz.

Antes de entrarmos mais a fundo, precisamos saber que bloqueio criativo não surge do nada. Tem algum motivo para ele acontecer. Desde preguiça ou até um caso de força maior, como uma doença. É normal, galera, somos seres humanos. A verdade é que n coisas podem conjurar (fã de RPG é isso aí, com essas palavras) essa... essa... Enfim.

Descubra o que é. Vamos supor que o seu motivo é preguiça. Preguiça é tipo kriptonita para o Superman. Se você se sente preguiçoso, pelo amor de Deus, force-se a fazer alguma coisa (nem que seja seu trabalho) porque isso é como apunhalar a alma. Ok... depois de você ter percebido o motivo, lide com ele ou tente superá-lo (dependendo da coisa). Pode demorar o tempo que for, mas uma hora esse demônio tem que sair.

Se não for nenhum motivo muito especial, então é exaustão. Você escreveu o dia inteiro, ou entrou em overworking (esforçou-se muito mais que o necessário) e aí começou a sentir aquela dorzinha marota na cabeça. Não é isso? Hm... Então é muito tempo sem escrever. Quando se perde o hábito, é normal não ter nada na mente ao voltar. Pode não acontecer, mas não é lá tão comum. Das duas, uma.

E como lutar contra isso? Como fugir disso? Simples. Mantenha sua mente sempre fluindo. O que eu quero dizer com isso? Ora, esteja sempre fazendo alguma coisa. Não fique parado. Caminhe. Leia. Mantenha-se concentrado em algo. Estude. Divirta-se. Recicle-se sempre que possível. É um ótimo meio de acabar com essa maldição.

Mais importante de tudo (e até um pouco irônico): escreva. Sim. Nem que seja reescrever o material que você já tem. Isso vai fazer as pequenas engrenagens de seu cérebro desenferrujarem, ou pelo menos vai ajudar.

E lembre-se: força de vontade! Sem isso um escritor não é nada. Você tem capacidade de criar, e não é culpa sua se você não consegue. O tempo é o melhor remédio. Não exagere nas doses. Respire. Tenha um tempo para você mesmo. E aí você vencerá o bloqueio criativo.


Até a próxima!



domingo, 14 de setembro de 2014

Onze hábitos úteis para escritores

Escrever pode até ser fácil, mas assim como qualquer outro hobby/profissão precisamos nos dedicar bastante. Segue alguns hábitos que são considerados importantes para um bom proveito dessa arte.

1. Ler: Leitura é essencial.  É bom ler bastante. Mas calma lá! Você não precisa devorar a biblioteca de sua cidade por inteiro. Muitas pessoas têm a capacidade de criar suas próprias histórias a partir de um ou dois livros; outras, a partir de dez e por aí vai. No básico, ler é importante para ter um vocabulário mais afiado e reciclar suas ideias. Livros de gramática são bons também. Nosso idioma tem várias regrinhas (algumas são chatas, tenho que admitir hehe), e você deve obedecê-las, querendo ou não. Mas isso é questão de costume, porque depois que pega o jeito, a coisa deslancha.

2. Ter foco: Você não vai conseguir escrever nada se não tiver foco. Estamos desenhando com palavras, e isso não é lá muito simples, pois temos que conseguir extrair para o papel em mera tinta preta os cenários extremamente coloridos e complexos de nossas mentes. É nesse ponto que muitas pessoas falam "escrever não é para mim". Tem certeza? Talvez o que esteja faltando é foco. E como ter foco? Simples. Se você escreve no computador, coloque o programa em tela cheia, ou se tranque no quarto, ou vá para algum lugar mais tranquilo... Você tem que dar um jeito. Não é impossível, por mais que pareça.

3. Escrever no papel: Muita gente não consegue escrever no papel porque se sente mais inspirada no computador ou no celular, ou dá a desculpa de que a letra é horrível. Isso só acontece porque essas pessoas não estão habituadas a escrever no bom e velho papel. Você tem que ter a sensação de que está escrevendo, e não apenas digitando. Se você não tem nada num caderno, transcreva. Você se sentirá mais inspirado, acredite.

4. Viver: Isso. Apenas isso. Nós precisamos viver. Ter experiências, morrer de amores, chorar, gritar de alegria... Dá para usar isso como impulso para escrever, mesmo que sua obra seja inteiramente fictícia. Não tem muito mais o que falar, já está meio óbvio.

5. Desafiar a si mesmo: Outra peça fundamental. Já pensou em fugir um pouco do que você costuma escrever? Colocar uma cena de terror, por exemplo? A leitura é importante aí. Desafie-se. Faz bem para a alma, dando certo ou não. Pesquise coisas diferentes, tente ver o que dá pra encaixar de novo em sua história, tente escrever a mesma cena de outro jeito para testar sua capacidade de escrita...

6. Deixar sua mente "respirar": Sabe quando você escreve, escreve, escreve e escreve, e no final do dia sua cabeça até dói? Pois é. Esse é um problema. No momento em que começar a sentir isso, você deve parar. Sério. Não entre em overworking. Salve ou guarde seu trabalho e continue depois. Cada um tem uma capacidade: tem gente que consegue escrever o dia inteiro tranquilamente, assim como tem gente que depois de duas horas para por um tempo e volta por mais duas horas. Escrever é um trabalho, seja você sendo pago para isso ou não; você tendo pressão ou não.

7. Desligar-se do mundo: Esse hábito deveria estar em primeiro lugar, mas não chega a ser mais importante que ler. Tem muito a ver com foco. Desligue sua televisão, desconecte-se das redes sociais, mantenha todas suas atenções voltadas ao seu trabalho. Esses são meios que distraem e fazem suas ideias sumirem num piscar de olhos. Faça um esforço para se manter longe de tudo isso.

8. Fazer o que tem que fazer, na hora certa: Muitos escritores não têm um horário certo para escrever (por exemplo, todas as tardes por x horas). Nossas responsabilidades no mundo exterior não nos deixam ter atenção 24/7 aos nossos trabalhos. Porém, é sempre, ou quase sempre, possível fazer algumas anotações em horários aleatórios e, num momento de tranquilidade, sentar e escrever.

9. Não ser alucinado: Ponha uma coisa em sua cabeça: Escreva. Mas não leve isso como uma espécie de mantra. Não é por não ter escrito uma letra no dia que sua cabeça vai explodir ou seu coração vai parar. Acalme-se. Você não é um robozinho treinado para terminar livros. Dê tempo a você mesmo.

10. Estipular metas: Se você é daquelas pessoas que gostam de desafio, é crucial que você estipule uma meta para o seu trabalho. Trezentas palavras por dia? Quatrocentas? No mínimo cem todas as vezes que você escrever? Duas páginas, três páginas? Faça o que você se considera capaz, mas lembre-se do item 5.

11. Acostumar-se a escrever regularmente: Tente ficar o menos distante possível do seu trabalho. Ficar sem escrever por dois meses já pode ser um convite para o desânimo (embora algumas pessoas se animem na hora). Se for se afastar, então deixe em mente que você precisa escrever. Como eu disse em cima, você não é um robozinho treinado para terminar livros. Se mesmo afastado por um ano, por exemplo, conseguir voltar e escrever como antes, parabéns, esse é um caso meio incomum. Senão, terá que ler sua história toda do zero para aí se situar novamente.


Lógico, você não precisa seguir essa lista à risca. Escreva do jeito que achar melhor para você. Cada escritor é um escritor, então relaxe. Agora, volte a escrever!

Até a próxima!



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Desenvolvimento e profundidade

Uma das coisas mais importantes ao se escrever uma história, qual seja seu formato, é algo chamado desenvolvimento da trama. E com isso, ela ganha profundidade. Ora, mas por que ela é tão importante? É o que veremos.

Uma história bem desenvolvida e bem estruturada enriquece a trama. O próprio escritor e eventuais leitores descobrirão que personagens não são apenas nomes, que cenas têm motivos para acontecer, que pode haver várias dobras num único capítulo, etc. O conceito de profundidade é parecido, mas extremamente mais rico: as palavras adquirem poder. E esse poder é grande.

Como assim poder? Magia? Exatamente. Você, querido leitor, sabe o quanto é gostoso e às vezes doloroso entrar numa história, seja nela toda ou em alguma parte, como na mente do protagonista, na tristeza da morte de um personagem ou na alegria de uma vitória. Não é mesmo? Pois é. Saiba que isso acontece por algo que chamamos de... Profundidade.

Desenvolver é importante se você quiser dar à sua história um aspecto tridimensional. Se você sabe explorar todos os detalhes (necessários) de uma cena, se você sabe usar as palavras para descrever o mais próximo possível do que seu personagem sente, e essas palavras conseguem ocupar mais de duas linhas, se você consegue "ferrar" seus personagens e também fazê-los "ferrar" os outros, entre inúmeras outras coisas, meus parabéns. Você sabe desenvolver.

Se não ficou claro ainda, deixe-me elucidar: escrever é apenas dar vida. Desenvolver é fazer essa vida ter sentido. Ora, qual o motivo de colocar um personagem aleatório na trama e não dizer nem o nome dele? Qual o sentido de ter um protagonista que não pensa, que não respira, que não toma decisões e nem sabe o porquê as toma? Pois é. Entende a importância de desenvolver?

Agora, a profundidade é algo que vem junto do desenvolvimento, como um "bônus". É você ter explorado tão bem o que tem que explorar que acaba criando um fascínio em ter escrito/lido aquela parte. Por exemplo: a morte de um personagem. É muito fácil falar que um personagem morreu. Matar um personagem pode ser fácil. Mais do que coçar o nariz. E como ele morreu? E o que ele sentiu perto da morte? E o que seu assassino (se for o caso) sentiu? Por que ele fez isso? Cada detalhe pode fazer a diferença. Quer um exemplo mais claro?

"Fulano morreu pela lança de Beltrano."

"A lança de Beltrano perfurou fundo o peito de Fulano, atravessando seu coração. Sangue esguichou, e um sorriso na cara de seu algoz se fez ao ver aquilo. Sua visão fora aos poucos se extinguindo, o fluido da vida escapou da ruptura causada pela lâmina. Ele estava morto, finalmente."

Percebeu? E olha que podem ser adicionadas mais coisas.
Profundidade pode ser definida como o realismo do negócio. Causou alguma emoção no leitor? Causou. Provavelmente espanto. Ou alegria, se ele odiava o Fulano. E o que a primeira frase causou? É isso. Mas suponhamos que você não consiga escrever algo tão "sofisticado" assim. Ora, então descreva a morte, apenas. Fale da ferida causada, da força aplicada no golpe, no sangue jorrando. Enriquecendo a cena é o que vale. Ok, esse é um ótimo exemplo pra dizer o que é desenvolvimento e profundidade (ironia, hehe). Mas tem um motivo: causar emoção. Morte é o que mais causa alguma reação nas pessoas, seja em livro ou na vida real, então aqui isso se aplica perfeitamente.

Voltando ao desenvolvimento. Suponhamos que você tenha um personagem (que não é o Fulano, pois esse morreu). Certo. Aí, num diálogo, ele fala para um amigo que está triste porque sua namorada o deixou. O amigo fala "ah, cara, que pena" e acaba por aí. Ué... só isso? Sabia que dá pra escrever um parágrafo inteiro só falando da melancolia dele por causa do abandono? E mais algumas linhas dizendo, por exemplo, alguma coisa que lembrasse seu passado e o fizesse ficar ainda mais triste, como um "ele sempre foi o excluído na sociedade"? É. Isso aí se chama desenvolvimento, amigo. Seu personagem não é só um nome. Não é só uma aparência.

Por isso que um dos conselhos que muitos escritores famosos dão é "observe o seu redor". Numa tradução, seria "desenvolva e crie profundidade". O mundo ao seu redor é profundo e desenvolvido , mesmo se você morar num deserto.

Resumindo: Profundidade vem com o desenvolvimento. E desenvolvimento faz a história ter algum sentido. Dá tridimensionalismo. Faz o personagem ser um personagem, e não só uma palavra num pedaço de papel.

Até a próxima, pessoal!


Tridimensionalismo é isso aí.




sábado, 6 de setembro de 2014

O personagem imortal. Por que evitá-lo?

Não que seja um erro absurdo ter um personagem que praticamente não sofre um arranhão no decorrer da história, mas é bom não abusarmos disso.

Com certeza você já leu algum livro ou outro formato de história que o protagonista sai ileso das enrascadas, ou senão quase nunca ganha ao menos uma cicatriz. Aí posso te perguntar: não é chato isso?

Ora, um personagem que não é Deus ou declaradamente imortal e mesmo assim só acontecer coisa boa com ele é meio entediante. Como disse num post atrás, personagens são humanos e precisam de emoções humanas. Sentimentos humanos. Então precisam sofrer também.

Quando digo isso, não quero me referir necessariamente à batalhas com monstros e tal. Refiro-me a qualquer coisa que envolva uma dificuldade. Nem que seja tropeçar numa casca de banana. Se o foco é realidade, então que tenhamos realidade. Não precisa fazer o protagonista sofrer a história toda (o coitado também precisa respirar), mas experimente colocá-lo numa situação arriscada. Nem que ele consiga sair dessa perfeitamente vivo, mas faça-o ralar. Ou sofrer alguma dor de cabeça, confusão, a vontade de ficar livre daquele peso, qualquer coisa.

Se alguém ler o seu livro, querendo ou não essa pessoa vai conseguir captar o que o personagem está sentindo. Vai tentar se colocar no lugar dele e pensar em alguma coisa. O personagem não é uma pedra, ele é uma vida. Altos e baixos são normais, portanto. Pode apostar que o leitor vai correr pelas páginas da sua história esperando por uma coisinha dessas, ou na pior das hipóteses, na morte de alguém.

Esse post é meio que uma extensão daquele dos temperos. O sofrimento do personagem não deixa de ser um tempero — e bem nutritivo!  para a história. À partir do momento em que não é só o próprio escritor que lê a história, o protagonista será o queridinho de algum leitor. E convenhamos, temos que mexer com a emoção. Dar aquele peso nas costas dele. Fazer o leitor — ou você mesmo, na maioria das vezes — se emocionar com o que vê. Ficar triste, ficar alegre. Isso faz parte.

E é justamente por isso que devemos evitar o personagem imortal. Aquele queridinho que só se dá bem. Porque evita o choque. Evita conflitos, assim podendo fechar portas.

Claro que nada disso é regra, mas...

Até a próxima, pessoal!

Os perigos da "ex machina"

Quando a história está em tal ponto que o escritor não tem muito para onde correr — uma decisão que o personagem tem que tomar, senão a narrativa não anda —, ele apela para uma dessas duas coisas: Deus ex machina e Diabolus ex machina. São duas coisas opostas, mas com a mesma intenção: tirar a história do buraco.

E quando falo em tirar a história do buraco, não é exagero. Pode acontecer, e é muito frequente, de uma história chegar num lugar indefinido. Se o escritor não perceber o problema e não alterá-lo (o que dá para se fazer sem precisar apagar uma grande parte da história), então sobra essas alternativas. São boas? São ruins? Bem... Depende. É o que veremos agora!

Deus ex machina

Do latim, "deus surgido da máquina". Isso vem lá dos teatros gregos antigos, e consiste num evento, personagem ou até mesmo um objeto que surge para "tirar o sufoco" da trama. Pode servir também como algo muito ilógico para o contexto da história que aparece do nada e a partir daí tudo fica diferente. Quem gosta de assistir anime sabe muito bem o que vou dizer: O personagem apanha igual um desgraçado e no final surge uma luz mágica que lhe dá força o suficiente para derrotar um vilão. Isso é Deus ex machina. Uma aplicação perfeita disso, inclusive.

Outro exemplo de Deus ex machina é quando o personagem passa por uma situação difícil e "magicamente" ele lembra por meio de flashbacks que ele sabe a resposta para aquele problema. Entretanto, se esses flashbacks ficaram claros na história em algum momento anterior, não é um Deus ex machina propriamente dito.

Diabolus ex machina

Alguns vão dizer que esse termo não existe, pois ele é pouquíssimo falado por aí. Ele é justamente a versão contrária do anterior (Deus, Diabo, manja? hehe), ou seja, é algo que começa a existir repentinamente para atazanar a vida de um ou mais personagens, assim dando o desenrolar para a trama. É legal de se fazer isso, pois evita aquela "imortalidade" do protagonista, fazendo com que coisas ruins aconteçam com ele (falarei mais isso noutro post), mas fica muito descarado. Imagine só: Dragões matam o Fulano na última página do livro. Porém, desde o começo, nunca se falara em dragões. É isso.

Mas se você pensa Diabolus ex machina é colocar uma maldição ou algo do tipo no personagem e ir sofrendo conforme o desenrolar do enredo, está errado. Se a coisa tem motivo para acontecer — e um motivo claro, ou que vai se mostrando aos poucos , não é ex machina.


Deve-se evitar o uso de ex machinas porque deixa a história muito "manjada", muito seca. É chato você ler uma história tão envolvente, mas que de repente começa tudo a ficar maluco, explicações surgindo de lugares inimagináveis e situações bobinhas.